Por Robert A. Sungenis
Fonte: http://www.catholicintl.com/
Tradução: Carlos Martins Nabeto (http://www.veritatis.com.br/article/4688)
Os
pesquisadores críticos costumam a afirmar que Jesus provavelmente
nasceu no ano 6 a.C. ou talvez até antes. Tal afirmação se baseia na
informação fornecida por Flávio Josefo, de que Herodes morreu no ano 4
a.C. Considerando que Herodes teria ordenado matar as criancinhas de até
dois anos de idade, isto levaria alguém a conjecturar que o nascimento
de Cristo se deu entre os anos 5 e 6 a.C.
As obras de Josefo que nos interessam aqui são "A Guerra Judaica" e "Antiguidades Judaicas", as quais compreendem o período que vai de 170 a.C a 70 d.C. Embora muitos pesquisadores confiem totalmente em Josefo, suas obras contêm muitos erros e discrepâncias, que podem ser atribuídas ao próprio Josefo, ou ainda pelo fato de que na Idade Média existiaram dúzias de manuscritos das suas obras, cada uma diferenciando significativamente das demais. De fato, um artigo sobre Josefo na "Grande Encyclopédie" de Ladmirault (publicada em Paris, em 1893) afirmava que ele era "orgulhoso, arrogante e pretencioso; alguém que falsificava a história em vantagem própria e que tratava os eventos muitas vezes de forma inadequada". Várias edições críticas das obras de Josefo foram publicadas a partir de então (p.ex.: Niese, 1881; Reinach 1902-1932). Reinach chega a acrescentar comentários nos relatos de Josefo tais como "isto é um erro" ou "em outro livro...as coisas são diferentes..."[1]
Graças ao trabalho de Hughes de Nateuil, descobrimos que os críticos modernos estão equivocados. Pouco conhecido (ou divulgado) pelos pesquisadores modernos é que Josefo usou duas formas diferentes para datar a morte de Herodes e a interpretação da fonte que aponta o ano 4 a.C. é extremamente discutível. Em outra obra, ele chega a afirmar que Herodes morreu em 7 ou 8 a.C.
Por outro lado, no ano 532 o monge Dionísio, o Exíguo, declarou que Cristo havia nascido em 25 de dezembro do ano 1 a.C. Ele também estabeleceu que o ano 1 d.C. correspondia ao ano 754 da fundação de Roma.
Para compreendermos este sistema de datação, precisaremos retornar para a era pré-cristã. Nessa época existiam dois sistemas de datação:
1)
O sistema de datação baseado nas datas do monarca reinante. Aqui a data
inicial é 753 a.C., que corresponde à data de fundação de Roma sob o
patrocínio de Rômulo. Os romanos denominaram esta data inicial como
"urbe condita" (="a partir da fundação da cidade"). O ano começava em 21
de abril e continha 355 dias no calendário. A adoção deste calendário
impreciso forçou o [imperador] Júlio César, no ano 46 a.C., após
consultar o astrônomo grego Sisógenes, a aumentar o número de dias desse
ano para 445 e, a partir de então (ou seja, do ano 45 a.C. em diante)
passou a haver 365,25 dias no ano, devendo ele agora começar em 1º de
janeiro.
2) O sistema de datação baseado nas datas de eventos importantes. Aqui a data inicial é 776 a.C., que corresponde à data da primeira celebração dos Jogos Olímpicos. A cada quatro anos, os gregos recordariam a data dos jogos ou "Olimpíadas", abreviando o evento como "OL". Conforme declarava Santo Agostinho: "Qualquer coisa, então, que aprendemos em História sobre a cronologia dos tempos passados ajuda-nos muito na compreensão das Escrituras, mesmo que seja sem o auxílio da Igreja como matéria de instrução filial. Por isso frequentemente procuramos informação sobre uma variedade de matérias usando as Olimpíadas e os nomes dos cônsules. A ignorância sobre aquele consulado em que nosso Senhor nasceu e também daquele em que Ele sofreu [a crucificação] tem levado alguns ao erro de supor que ele tinha 46 anos de idade quando sofreu [a crucificação], por ser o número de anos que os judeus disseram a Ele que teria o templo demorado para ser edificado (e que Ele usou como um símbolo de Seu corpo). Mas nós sabemos, pela autoridade do Evangelista, que Ele tinha cerca de 30 anos de idade quando foi batizado; mas o número de anos que Ele viveu depois disto, só poderemos saber reunindo os Seus atos, e não há dúvidas de que poderão ser deduzidas de maneira mais clara e mais precisa comparando a história profana com o Evangelho" (Da Doutrina Cristã 2,28,42). Cada espaço de 4 anos tinha início na primeira lua-cheia de verão.
Podemos
encontrar outros Padres da Igreja usando o calendário olímpico [2].
Cirilo de Jerusalém, por exemplo, em suas "Leituras Catequéticas 12,19,
data a profecia de Daniel 9,24-27 segundo o calendário olímpico. (...)
Quanto
ao sistema romano, embora esteja ligado mais intimamente ao nosso
calendário atual, Júlio César não empregava os numerais de 1 a 31 para
apontar os dias do mês. Ao contrário, ele usava os antigos nomes romanos
"calendas, nonas e idos". Neste sistema, as calendas eram o primeiro
dia do mês; as nonas, o décimo-quinto; e os idos, o trigésimo (exceto em
março, maio, julho e outubro, quando as nonas caíam no sétimo dia e os
idos, no décimo-quinto). Os dias existentes entre esses nomes eram
apontados conforme se aproximavam mais para as calendas, as nonas ou os
idos. O número colocado antes do nome do calendário deveria ser
subtraído da data do calendário; por exemplo, o "oitavo dia das
calendas" deveria subtrair 8 dias a partir de 1º da janeiro, ou seja,
equivaleria ao nosso 25 de dezembro. É daí que provém a célebra
expressão irlandesa: "Nos idos de março"...
No
entanto, tudo isso é ainda um pouco mais complicado. Na verdade, havia
duas formas de se datar no calendário baseado no monarca reinante.
Os
anos podiam ser expressos em números ordinais (p.ex.: primeiro,
segundo, terceiro, quarto...). Quando os números ordinais eram usados,
refletiam o ano em que certo monarca tinha sido nomeado ou ascendido ao
trono. Seu ano de ascensão seria o primeiro ano e o ano seguinte seria o
segundo ano.
Mas
os anos também podiam ser expressos em números cardinais (p.ex.: um,
dois, três, quatro...). Neste caso, o ano 1 seria um ano após o monarca
ter ascendido ao trono.
Os
antigos judeus usaram um sistema similar, de dupla marcação, para
apontar os reinados dos reis de Israel e Judá, distinguindo entre o ano
da ascensão do rei em oposição ao seu ano seguinte de reinado (v. "The
Mysterious Numbers of the Hebrew Kings", de Edwin Thiele).
E
nós fazemos o mesmo ao computar várias datas. Atualmente, vivemos no
21º século, mas a data atual não começa, p.ex., em 2104, mas em 2004. De
maneira análoga, podemos dizer que "João está em seu 31º ano" ou que
"João possui 30 anos de idade".
Essas
diferenças são importantes, já que é sabido que todos os historiadores
gregos e latinos apontaram datas baseando-se em algum dos sistemas
mencionados acima. Com efeito, eles encontravam disponíveis para eles
próprios datas que usavam como referência:
1) A Olimpíada (ou OL)
2) A "urbe condita" (ou UC)
3) Os anos do monarca
4) Os anos do calendário juliano
2) A "urbe condita" (ou UC)
3) Os anos do monarca
4) Os anos do calendário juliano
Como
resultado, um mesmo evento poderia ser citado conforme diferentes
datações, dependendo do sistema empregado. Por exemplo, quando Lucas 3,1
menciona: "No 15º ano do reinado de Tibério César, quando Pôncio
Pilatos era o governador da Judéia e Herodes o tetrarca da Galiléia", o
"15º ano" poderia significar 15 anos a partir da data em que ascendeu ao
trono (que nós sabemos ser agosto de 14 d.C.) ou 16 anos a partir da
data de sua ascensão. E mais: o mês de início de seu reinado poderia
tanto ser janeiro quanto agosto.
Para
complicar ainda mais as coisas, já quase no fim do Império Romano, sob o
reinado de Constantino, um outro sistema de datação foi estabelecido,
baseando-se na taxação territorial que se fazia a cada 15 anos,
conhecido como "indicções". Este ciclo de 15 anos teve origem no reinado
de Diocleciano, mas foi implementado especificamente como calendário
por Constantino.
Um
outro complicador é que os gregos, além de usar o calendário olímpico,
celebravam o nascimento de Jesus em 6 de janeiro enquanto que os latinos
celebravam em 25 de dezembro. Aqui não há apenas uma diferença de 12
dias, mas sim uma diferença de quase 1 ano no calendário, já que janeiro
corresponde ao início de um novo ano no calendário.
E
é aqui que entra Dionísio, o Exíguo (apelidado "Exíguo" em razão da sua
humildade). Embora armênio de nascimento, estabeleceu-se eventualmente
em Roma. Ele começou seu trabalho traduzindo textos do grego para o
latim, observando que os gregos e os latinos não celebravam o Natal e a
Páscoa nas mesmas datas. Baseando-se nos testemunhos de Justino Mártir,
Tertuliano, Eusébio de Cesaréia, Jerônimo e também em historiadores como
Júlio Africano e Orósio, calculou que Cristo havia nascido precisamente
532 anos antes da data em que ele, Dionísio, teria iniciado o seu
trabalho.
Por
exemplo, Júlio Africano fez um extensivo estudo dos calendários grego e
hebraico e tentou fazer uma correspondência cuidadosa entre os dois.
Ele escreve:
"Até
o tempo das Olimpíadas, não havia história precisa entre os gregos.
Todas as coisas anteriores a essa data são confusas e não são
consistentes umas com as outras. Mas como essas Olimpíadas foram
perfeitamente investigadas por muitos, então os gregos passaram a
registrar sua história não de acordo com longos espaços, mas em períodos
de quatro anos. Por essa razão eu irei selecionar as narrativas míticas
mais memoráveis, anteriores ao tempo da primeira Olimpíada, e
percorrê-las rapidamente. Mas aquelas [narrativas] que são posteriores a
esse período, pelo menos aquelas que são notáveis, eu as reunirei
citando eventos hebraicos em conexão com [os eventos] gregos, conforme a
datação destes, examinando cuidadosamente as ocupações dos hebreus e
mencionando superficialmente as [ocupações] dos gregos. O meu plano é
este: citar alguns eventos singulares da história hebraica e colocá-los
em sintonia com outros da história grega. E considerando isto como
matéria principal, subtrairei ou adicionarei [os eventos] conforme
pareçam necessários para a narrativa; farei constar o que os gregos ou
os persas registraram, ou qualquer personagem memorável de qualquer
outra nacionalidade surgido na data do evento na história hebraica.
Talvez assim eu possa me ater ao objetivo que proponho para mim mesmo"
(Fragmento restante 3,1).
Um exemplo do seu elaborado cálculo pode ser visto abaixo:
"Além
disso, a partir de Artaxerxes 70 semanas são computadas até o tempo de
Cristo, conforme a numeraçao dos judeus. Portanto, de Neemias, que foi
enviado por Artaxerxes ao povo de Jerusalém, por volta do 120º ano do
Império Persa e do 20º ano do próprio Artaxerxes; e no 4º ano da 83ª
Olimpíada até esse tempo, que é o 2º ano da 202ª Olimpíada e o 16º ano
do reinado de Tibério César, passaram-se 475 anos, correspondentes a 490
anos hebraicos, já que eles medem o ano pelo mês lunar de 29,5 dias,
como pode ser facilmente explicado, sendo que o período anual segundo o
sol consiste de 365,25 dias, de forma que o período lunar de 12 meses
possui 11,25 dias a menos. Por essa razão, os gregos e os judeus inserem
três meses intercalados a cada oito anos. Assim obtêm 3 meses por 8
vezes 11,25 dias. Logo, os 475 anos contêm 59 períodos de 8 anos e 3
meses, pois sendo acrescentados os 3 meses intercalados a cada 8 anos,
obtemos 15 anos e estes, juntamente com os 475 anos, perfazem 70
semanas. Agora, que ninguém pense que estamos só considerando os
cálculos da astronomia quando fixamos o número de dias em 365,25. Não se
trata de ignorar a Verdade, mas isto é fruto de um estudo preciso e,
assim, declaramos essa nossa opinião tão brevemente. Permitam que o que
se segue também seja apresentado sumariamente para aqueles que se
esforçam por investigar cuidadosamente todas as coisas" (Fragmentos
restantes 18,2) [2]
Obs.:
202ª Olimpíada menos 83ª Olimpíada = 119 Olimpíadas. 119 x 4 anos = 476
anos. Deduzindo-se 1 ano - já que não existiu o ano 0 (zero) -, restam
475 anos.
Quando comparamos os anos lunares com os anos solares, temos:
- 475 anos x 365,25 dias = 173,493 dias
- 490 anos x 354 dias (isto é, 12 meses de 29,5 dias) = 173.460 dias (havendo, assim, uma diferença de apenas 33 dias!)
- 490 anos x 354 dias (isto é, 12 meses de 29,5 dias) = 173.460 dias (havendo, assim, uma diferença de apenas 33 dias!)
Dionísio
então afirmou que o ano 1 da vida de Cristo correspondia ao ano romano
de 754 UC (da fundação de Roma), com ambos começando no dia 1º de
janeiro. Observe-se aqui que Dionísio situou o nascimento de Cristo no
8º dia anterior às calendas de Janeiro (ou seja: 1º de janeiro do ano 1
d.C menos 8 dias = 25 de dezembro do ano 1 a.C.). Incidentalmente, o dia
1º de janeiro do ano 1 d.C coincide com o quarto ano da 194ª Olimpíada,
no mínimo até a primeira lua cheia de julho, quando então muda para o
primeiro ano da 195ª Olimpíada.
Após
o cuidadoso trabalho de Dionísio, todos os historiadores aceitaram seu
sistema de datação. Então, aqueles que desejassem retornar na história
para apontar datas anteriores ao nascimento de Cristo passariam a
empregar anos negativos. Por outro lado, aqueles que desejassem datar um
evento ocorrido após Cristo, o expressariam como "Anno Domini" (isto é,
"o ano de Nosso Senhor") [abreviado como AD ou, popularmente, d.C.].
Com efeito, é seguro afirmar que o Calendário de Dionísio foi aceito por
todo o mundo ocidental e continua a ser usado até os nossos dias.
Podemos agora usar os vários calendários e coordenar várias datas para eventos específicos da vida de Cristo:
- 8 dias após o nascimento de Cristo = 195ª OL ou 754 UC ou 1 AD [d.C.].
- Jesus no Templo de Jerusalém aos 12 anos de idade (cf. Luc. 2,42) = 198ª OL ou 766 UC ou 13 AD [d.C.].
- Batismo de Jesus = 202ª OL ou 782 UC ou 29 AD [d.C.].
- Crucificação de Jesus = 203ª OL ou 786 UC ou 33 [d.C.].
- Jesus no Templo de Jerusalém aos 12 anos de idade (cf. Luc. 2,42) = 198ª OL ou 766 UC ou 13 AD [d.C.].
- Batismo de Jesus = 202ª OL ou 782 UC ou 29 AD [d.C.].
- Crucificação de Jesus = 203ª OL ou 786 UC ou 33 [d.C.].
O livro apócrifo "Evangelho de Nicodemos", em sua parte I (=Atos de Pilatos), declara:
"No
15º ano do governo de Tibério César, imperador dos romanos, sendo
Herodes o rei da Galiléia, no 19º ano de seu governo, no oitavo dia
antes das calendas de abril, que é o 25º de março, no consulado de Rufo e
Rubélio, no 4º ano da 202ª Olimpíada, sendo José Caifás o
sumo-sacerdote dos judeus" [3].
Tudo isso coincide precisamente com as informações que temos, pois:
O
15º ano de Tibério César = 19º ano de Herodes = 4º ano da 202ª
Olimpíada = 8º dia das calendas de abril = 25 de março de 33 AD [d.C.]!
[Com isto em mente, sabemos que] os [primitivos] Padres [da Igreja] testemunharam a data precisa do nascimento de Cristo:
a) Eusébio de Cesaréia (+345 d.C.), em suas "Crônicas" (PG 19, col. 530ss) registra que:
- Cristo nasceu no 4º ano da 194ª Olimpíada.
- no 3º ano de Cristo (quando ele tinha 2 anos de idade, antes de completar o seu 3º aniversário), Herodes ordenou a matança dos inocentes.
- Herodes morreu no ano 5 AD [d.C.], corroído por vermes.
- a Paixão de Cristo (33 AD) ocorreu no 1º ano da 203ª olimpíada, no 18º ano de Tibério.
- no 3º ano de Cristo (quando ele tinha 2 anos de idade, antes de completar o seu 3º aniversário), Herodes ordenou a matança dos inocentes.
- Herodes morreu no ano 5 AD [d.C.], corroído por vermes.
- a Paixão de Cristo (33 AD) ocorreu no 1º ano da 203ª olimpíada, no 18º ano de Tibério.
b) O mesmo autor, em sua "História Eclesiástica" (PG 19, col. 287), registra que:
-
César Augusto reinou por 56 anos e 4 meses. Tendo ascendido ao trono em
43 a.C., o 42º ano de seu reinado pode ter se encerrado entre 1º de
abril de 1 a.C e 1º de abril de 1 d.C. Lucas 2,1 declara: "Naqueles dias
um decreto de César Augusto ordenou um censo em toda a terra habitada"
(a significância do 42º ano será vista mais abaixo).
c) São Jerônimo (+420), em sua "Interpretação das Crônicas de Eusébio Panfílio" (PL 27, col. 559ss), registra que:
-
Herodes foi reconhecido como rei dos judeus no ano 2 de César Augusto e
que reinou 37 anos, apontado a morte de Herodes no ano 6 de Cristo ou 6
d.C. Ele escreve: "Jesus Cristo, o Filho de Deus, nasceu em Belém de
Judá e a partir desse ano começou a salvação dos cristãos. No ano 3
d.C., Herodes matou todas as crianças de sexo masculino em Belém e, no
ano 6 d.C., ele teve uma morte terrível, mas merecida: seu corpo foi
perfurado por vermes" (cf. tradução inglesa de J. S. Daly e F. Egregyi).
- Cristo nasceu no ano 32 de Herodes ou também no ano 42 de Augusto.
- o batismo de Cristo ocorreu em 30 d.C.
- a Paixão de Cristo ocorreu em 33 d.C.
- o martírio de Estêvão e a conversão de Paulo se deram em 34 d.C.
- Mateus escreveu seu evangelho em 41 d.C.
- Cristo nasceu no ano 32 de Herodes ou também no ano 42 de Augusto.
- o batismo de Cristo ocorreu em 30 d.C.
- a Paixão de Cristo ocorreu em 33 d.C.
- o martírio de Estêvão e a conversão de Paulo se deram em 34 d.C.
- Mateus escreveu seu evangelho em 41 d.C.
d) São Justino Mártir (+163), em sua "Apologia" (PL 6, col. 383ss), registra que:
- a Paixão de Cristo ocorreu no 17º ano de Tibério, que teve início entre agosto de 32 e agosto de 33 d.C.
e) Tertuliano (+222), em seu "Contra os Judeus" (PL 2, col. 614), registra que:
-
o nascimento de Jesus ocorreu no ano 41 de César Augusto. Embora isto
seja 1 ano antes daquele declarado por São Jerônimo, isto se deve ao
fato de que Tertuliano seguia estritamente a datação latina (a qual,
como vimos anteriormente, apontava o Natal no calendário um ano antes do
calendário grego, já que 25 de dezembro tem um ano a menos que 6 de
janeiro) enquanto que São Jerônimo, embora latino, usava fontes gregas
enquanto residia na Palestina.
- na crucificação de Cristo, o sol parou de brilhar ao meio-dia (isto consta na sua obra "Apologético" 1,21): "Ele (=Deus) teria várias maravilhas apropriadas para tal morte. Com efeito, no momento em que o sol atingiu o meio da sua órbita, o dia foi repentinamente privado do seu brilho e aqueles que não sabiam que esse prodígio foi preparado para a morte de Cristo não compreenderam a razão desse fato. Posteriormente, eles passaram a negar que isso ocorrera, mas vocês podem encontrar [o registro] desse evento mundial guardado nos seus arquivos". O texto de um historiador secular conhecido como Phlegon, ex-escravo do imperador Adriano (117-138 d.C.), corrobora: "...no 4º ano da 202ª Olimpíada ocorreu um eclipse que tornou-se notável porque nada comparável ocorrera antes. Na sexta hora do dia [meio-dia] as trevas eram tais que qualquer um conseguia ver as estrelas" (Fragmenta Historicum Graecorum, Didot. Paris 1849, vol. 3, Phlegon, livro 13, cap. 14, conforme citado em “The Controversy Concerning the Dates of the Birth and Death of Jesus Christ”, de J. S. Daly).
- na crucificação de Cristo, o sol parou de brilhar ao meio-dia (isto consta na sua obra "Apologético" 1,21): "Ele (=Deus) teria várias maravilhas apropriadas para tal morte. Com efeito, no momento em que o sol atingiu o meio da sua órbita, o dia foi repentinamente privado do seu brilho e aqueles que não sabiam que esse prodígio foi preparado para a morte de Cristo não compreenderam a razão desse fato. Posteriormente, eles passaram a negar que isso ocorrera, mas vocês podem encontrar [o registro] desse evento mundial guardado nos seus arquivos". O texto de um historiador secular conhecido como Phlegon, ex-escravo do imperador Adriano (117-138 d.C.), corrobora: "...no 4º ano da 202ª Olimpíada ocorreu um eclipse que tornou-se notável porque nada comparável ocorrera antes. Na sexta hora do dia [meio-dia] as trevas eram tais que qualquer um conseguia ver as estrelas" (Fragmenta Historicum Graecorum, Didot. Paris 1849, vol. 3, Phlegon, livro 13, cap. 14, conforme citado em “The Controversy Concerning the Dates of the Birth and Death of Jesus Christ”, de J. S. Daly).
Obs.:
este fenômeno não poderia ter sido um eclipse causado pela lua, já que
as trevas de um eclipse total ocorreriam apenas em áreas específicas da
terra e, em todo caso, não durariam muito tempo; mas os Evangelhos
registram que o sol parou de brilhar por três horas. Orígenes (+254), em
seu "Contra Celso" 2,33, confirma o testemunho de Phlegon: "O eclipse
que ocorreu no tempo de Tibério, durante aquele reinado em que Cristo
foi crucificado, e o grande terremoto simultâneo, foi registrado por
Phlegon em seus livros 13 e 14".
Continuemos, agora com outros historiadores da Igreja:
f) João Malalas (+578), em sua “Cronografia” (PG 97, col. 351ss), registra que:
-
"No 4º mês do 42º ano de Augusto, no 8º [dia] das calendas de janeiro
[isto é, em 25 de dezembro], na 7ª hora do dia, Nosso Senhor Jesus
Cristo nasceu em Belém".
- "Ele foi batizado no [rio] Jordão no 6º dia do mês de Audynae [=janeiro]".
- "No ano 18 do reinado de Tibério, no 7º mês, Nosso Senhor Jesus Cristo foi traído por Judas, seu discípulo. No 23º [dia] de março, o 3º dia da lua, o 5º dia da semana, na 5ª hora da noite [=23:00], Ele foi levado perante Caifás (...) No dia seguinte, foi levado a Pilatos (...) Ele foi crucificado no 14º dia da lua... Nesse momento, o sol foi privado da sua luz e as trevas cobriram toda a terra".
- "Ele foi batizado no [rio] Jordão no 6º dia do mês de Audynae [=janeiro]".
- "No ano 18 do reinado de Tibério, no 7º mês, Nosso Senhor Jesus Cristo foi traído por Judas, seu discípulo. No 23º [dia] de março, o 3º dia da lua, o 5º dia da semana, na 5ª hora da noite [=23:00], Ele foi levado perante Caifás (...) No dia seguinte, foi levado a Pilatos (...) Ele foi crucificado no 14º dia da lua... Nesse momento, o sol foi privado da sua luz e as trevas cobriram toda a terra".
g) Diácono Paulo, em sua "História Diversa" (PL 95, col. 858-864), registra que:
-
"No 12º ano do reinado de Tibério, em Fidenae, um anfiteatro ruiu
soterrando 20 mil pessoas. 7 anos depois, no tempo em que Nosso Senhor
sofreu a Sua Paixão, ocorreu um imenso terremoto e pedras rolaram das
montanhas. No mesmo dia, o sol escureceu da 6ª à 9ª hora; as trevas
cobriram toda a terra e as estrelas apareceram [no céu]".
h) Júlio Africano, nos fragmentos de suas obras que chegaram até nós (PG 10, col. 90), registra que:
-
"No ano 5.533 da terra, que é o 33º de Cristo, denominado o 1º ano da
203ª Olimpíada, no momento em que Cristo sofreu Sua Paixão, trevas
terríveis cobriram o mundo e rochas se quebraram em razão de um
terremoto".
i) Orósio (+418), em sua "História contra os Pagãos" (PL 31, col. 1.059, livro 7), registra que:
- Cristo nasceu em dezembro do ano 1 a.C.
- no ano 3 de Cristo, Herodes assassinou os inocentes.
- no ano 6 d.C., Herodes morreu, consumido por vermes.
- no ano 28, Tibério enviou Pilatos como governador da Judéia.
- no ano 33, a Paixão ocorreu no 8º dia das calendas de abril (=25 de março).
- no ano 3 de Cristo, Herodes assassinou os inocentes.
- no ano 6 d.C., Herodes morreu, consumido por vermes.
- no ano 28, Tibério enviou Pilatos como governador da Judéia.
- no ano 33, a Paixão ocorreu no 8º dia das calendas de abril (=25 de março).
j) Cassiodoro (+580), em sua "Crônica" (PL 69, col. 1.228), registra que:
- a Paixão de Cristo ocorreu no ano 18 de Tibério, no 8º [dia] das calendas de abril, durante um eclipse do sol.
- ele também escreve: "Jesus Cristo, o Filho de Deus, nasceu em Belém no ano 41 do reinado de Augusto".
- ele também escreve: "Jesus Cristo, o Filho de Deus, nasceu em Belém no ano 41 do reinado de Augusto".
k) Sulpício Severo (+420), em sua “História Sagrada” (PL 20, col. 144), registra que:
- Cristo nasceu no ano 33 de Herodes, no 8º dia das calendas de janeiro (=25 de dezembro), e Herodes morreu 4 anos mais tarde.
- Cristo foi crucificado no 24º ano de Herodes, o Jovem (isto é, Herodes Antipas).
- Cristo foi crucificado no 24º ano de Herodes, o Jovem (isto é, Herodes Antipas).
l)
Epifânio (+403), em suas obras "Do Ano do Natal de Cristo" e "Do Ano da
Paixão de Cristo" (PG 13, cols. 902 e 978), registra que:
- Cristo nasceu no ano 45 do calendário juliano (=ano 1 a.C. de nosso atual calendário), no 4º ano da 194ª Olimpíada.
- que a Sua Paixão ocorreu no 18º ano de Tibério, em 25 de março, e a ressurreição, em 27 [de março].
- que a Sua Paixão ocorreu no 18º ano de Tibério, em 25 de março, e a ressurreição, em 27 [de março].
Obs.:
como é fácil de perceber, eventuais discrepâncias são quase sempre
explicadas pelas diferenças de emprego dos números cardinais e ordinais
dos diversos sistemas de datação.
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Notas:
Notas:
[1] Alguns exemplos de erros nas obras de Josefo:
- Esdras 6,15 diz: "Este templo foi concluído no 3º dia do mês de Adar; era o 6º ano do reinado do rei Dario"; mas Josefo diz: "Tudo ficou completo no 9º mês do 28º ano de Xerxes" (Antiguidades, livro 11, v.179), ou seja, uma diferença de 45 anos!
- 1Macabeus 6,30 diz: "O número de suas forças era de 100 mil soldados a pé; 20 mil a cavalo; e 32 elefantes acostumados à guerra"; mas em "Guerra Judaica" (livro 1, v.41), [Josefo] diz que eram 50 mil soldados, 5 mil cavaleiros e 80 elefantes, embora em "Antiguidades" (livro 12, cap. 9, v.366) cite 1Macabeus 6,30!
- Em "Guerra Judaica" (livro 1, cap. 2, v.68), [Josefo] afirma que Hircano reinou por 33 anos, mas em "Antiguidades" (livro 12, v.299), diz que foram por 32 anos e, depois, no livro 22, por 30 anos.
- Em "Guerra Judaica" (livro 1, cap. 3, v.70) é dito que Aristóbulo colocou a diadema sobre sua fronte 471 anos após o retorno do exílio, mas em "Antiguidades" (livro 13, v.301), afirma-se que foi 480 anos. Ambas as datas estão erradas, pois se deu após 490 anos!
- Em "Guerra Judaica" (livro 1, cap. 4, v.105), ele diz que Alexandre capturou Gamala e expulsou o governador, mas em "Antiguidades" (livro 13, v.394), diz que Alexandre o matou.
- Em "Antiguidades" (livro 15, cap. 11, v.1), ele diz que "Herodes assumiu a restauração do Templo [de Jerusalém] no 18º ano de seu reinado", mas em "Guerra Judaica" (livro 1, cap. 21, v.401), afirma que "foi no 15º ano".
[2] "The Early Church Fathers and Other Works", originalmente publicada em inglês pela Wm. B. Eerdmans Pub. Co. em Edimburgo (Escócia), no início de 1867 (Ante Nicene Fathers 6, Roberts e Donaldson).
[3] Outras menções às Olimpíadas encontramos em:
- Clemente de Alexandria (40ª, 50ª, 46ª e 62ª Olimpíadas): "O discípulo de Crates foi Zeno de Cítia, fundador da seita estóica. Ele foi sucedido por Cleantes e, depois, por Crísipo e outros após este. Xenófanes de Colofon foi o fundador da escola eleática que, segundo Timeu, viveu na época de Hiero, senhor da Sicília, e Epicarmo, o poeta. E Apolodoro diz que ele nasceu na 40ª Olimpíada e chegou até o tempo de Dario e Ciro"; (...) "Heródoto, em seu primeiro livro, concorda com ele. A data é próxima da 50ª Olimpíada. Pitágoras certamente viveu nos dias de Polícrates, o tirano, por volta da 62ª Olimpíada. Mnesífilo é citado como discípulo de Sólon e foi contemporâneo de Temístocles; Sólon surgiu por volta da 46ª Olimpíada" (Stromata 1,14).
- Hipólito de Roma (88ª Olimpíada): "Este filósofo [Anaxágoras] floresceu no 1º ano da 88ª Olimpíada, na mesma época em que eles afirmam também que Platão nasceu".
- Sócrates Escolástico (271ª e 300ª Olimpíadas): "Na Bretanha, contudo, Constantino foi proclamado imperador, no lugar de seu pai, Constâncio, que morreu no 1º ano da 271ª Olimpíada, no 25º [dia] de julho (...) O imperador Constantino viveu 65 anos e reinou 31. Ele faleceu durante o consulado de Feliciano e Tartão, no 22º [dia] de maio, no 2º ano da 278ª Olimpíada. Este livro, portanto, abrange um período de 31 anos" (História Eclesiástica, livro 1, caps. 2 e 40). "E assim terminou essa guerra empreendida em razão dos cristãos que sofriam [perseguição] na Pérsia, sob o consulado dos dois Augustos, sendo o 13º de Honório e o 10º de Teodósio, no 4º ano da 300ª Olimpiada. E então acabou a perseguição que se levantara na Pérsia contra os cristãos" (História Eclesiástica, livro 7, cap. 20).
- Teófilo de Antioquia (7ª e 62ª Olimpíadas): "Então, quando Ciro já reinava por 29 anos e foi assassinado por Tomiris na terra dos massagetas, na 62ª Olimpíada, os romanos começaram a crescer em poder, pois Deus os fortaleceu. Roma foi estabelecida por Rômulo, tido por filho de Marte e Ília, na 7ª Olimpíada, no dia 21 de abril, quando o ano era consistido de 10 meses. Ciro, então, tendo morrido, como já dissemos, na 62ª Olimpíada, faz-nos com esta data corresponda a 220 anos, quando Tarquínio, apelidado o Soberbo, reinou sobre os romanos" (A Autólico 3,27).




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