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13 novembro 2011

O perigo do "planejamento familiar"

(um termo perigoso usado por pessoas inocentes)


Antes de construir uma casa é preciso planejá-la. Será grande ou pequena? Terá um ou dois pisos? Quantos quartos e quantos banheiros? A resposta a essas perguntas depende da vontade do construtor e da utilidade que ele pretende dar à edificação.

Uma família, porém, é diferente de uma casa feita de tijolos. O tamanho dela não depende simplesmente da vontade do casal. Ele não pode “planejar” a família como faria com um edifício. O termo “planejamento familiar” dá a entender que compete ao casal – e somente a ele – determinar o número e o espaçamento de seus filhos. Ora, essa autonomia absoluta não existe. Só Deus é o Senhor da Vida. O que o casal pode e deve fazer é ficar atento aos sinais de Deus para descobrir qual é a sua vontade, e pô-la em prática. Ouçamos o Catecismo:
 
“A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja vêem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais”[1].
 

19 fevereiro 2011

Papa Pio XII a um grupo de recém casados

A família tem o brilho de um sol que lhe è próprio: a esposa. Ouvi o que a Sagrada Escritura afirma e sente a respeito dela: A graça da mulher dedicada é a delícia do marido. Mulher santa e pudica é graça primorosa. Como o sol que se levanta nas alturas do Senhor, assim o encanto da boa esposa na casa bem-ordenada (Eclo 26, 16.19.21). 


Realmente, a esposa e mãe é o sol da família. É sol por sua generosidade e dedicação, pela disponibilidade constante e pela delicadeza e atenção em relação a tudo quanto possa tornar agradável a vida do marido e dos filhos. Irradia luz e calor do espírito. Costuma-se dizer que a vida de um casal será harmoniosa quando cada cônjuge, desde o começo, procura não a sua felicidade, mas a do outro. Todavia, este nobre sentimento e propósito, embora pertença a ambos, constitui principalmente uma virtude da mulher. Por natureza, ela é dotada de sentimentos maternos e de uma sabedoria e prudência de coração que a faz responder com alegria às contrariedades; quando ofendida, inspira dignidade e respeito, à semelhança do sol que ao raiar alegra a manhã coberta pelo nevoeiro e, quando se põe, tinge as nuvens com seus raios dourados. 

A esposa é o sol da família pela limpidez do seu olhar e o calor da sua palavra. Com seu olhar e sua palavra penetra suavemente nas almas, acalmando-as e conseguindo afastá-las do tumulto das paixões. Traz o marido de volta à alegria do convívio familiar e lhe restitui a boa disposição, depois de um dia de trabalho ininterrupto e muitas vezes esgotante, seja nos escritórios ou no campo, ou ainda nas absorventes atividades do comércio ou da indústria. 

A esposa é o sol da família por sua natural e serena sinceridade, sua digna simplicidade, seu distinto porte cristão; e ainda pela retidão do espírito, sem dissipação, e pela fina compostura com que se apresenta, veste e adorna, mostrando-se ao mesmo tempo reservada e amável. Sentimentos delicados, agradáveis expressões do rosto, silêncio e sorriso sem malícia e um condescendente sinal de cabeça: tudo isso lhe dá a beleza de uma flor rara mas simples que ao desabrochar, se abre para receber e refletir as cores do sol. 

Ah, se pudésseis compreender como são profundos os sentimentos de amor e de gratidão que desperta e grava no coração do pai e dos filhos, semelhante perfil de esposa e de mãe! 

(Discursos e radio-mensagens, 11 mart. 1942: 3,385-390) P.D: Surpreende a profundidade de afetos que sai de um coração celibatário, vivido com plenitude, como era o Papa Pio XII...

23 agosto 2009

CASAMENTO - SACRAMENTO INDISSOLÚVEL?

ACUSAÇÃO: Por que a Igreja católica proclama o matrimônio como sacramento indissolúvel? Os outros "crentes" adotam simplesmente a lei civil sobre o casamento e o divórcio. Qual é o ensinamento da Bíblia?

RESPOSTA:

a) A Bíblia não deixa nenhuma dúvida a respeito da indissolubilidade do matrimônio, como consta de Mt 19,3-9. Nesta disputa com os fariseus acostumados a repudiar facilmente as suas mulheres, Jesus lhes responde: “Não lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e disse: - Por isso deixa o homem pai e mãe e une-se com sua mulher e os dois formam uma só carne? … Não separe, pois, o homem o que Deus uniu”.
Acrescentaram eles:

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- “Então, por que Moisés mandou dar-lhes libelo de repúdio e despedi-la?
Respondeu-lhes Jesus:
- Por causa da dureza do vosso coração, permitiu-vos Moisés repudiar as vossas mulheres, mas no princípio não era assim”.
- E agora, com a autoridade do divino Legislador, Jesus restabelece a ordem primitiva, declarando: “Ora, Eu vos digo: Todo o que despedir a própria mulher, salvo o caso de concubinato, ( e não de adultério, como traduzia-se erroneamente, e casar-se com outra, comete adultério; e quem casar-se com uma repudiada, comete adultério”.

Em I Cor 7,10-11 S. Paulo reafirma a indissolubilidade do matrimônio escrevendo: “Aos casados mando ( não eu, mas o Senhor ) que a mulher não se separe do marido. E, se ela estiver separada, que fique sem casar, ou se reconcilie com seu marido. Igualmente o marido não repudie sua mulher”. Portanto, segundo as expressas declarações da Bíblia, não há mais lugar para o divórcio e novo casamento, entre os cristãos casados.

b) Sacramento. Na carta aos Efésios (Ef 5,25-33), São Paulo recomenda aos maridos amarem suas esposas, “como Cristo amou sua Igreja e se entregou a si mesmo por ela, a fim de a santificar… para que seja santa e irrepreensível”, - e acrescenta: - “Esse mistério (= sacramento) é grande, quero dizer, com referência a Cristo e a Igreja."

Por esse mistério (sacramento) o contrato natural do matrimônio, e a convivência cotidiana do casal cristão, representando e encarnando o amor fecundo de Cristo à sua Igreja, é elevado a uma nova dignidade e realidade transcendental, ou ao plano sacramental.

É verdade que nos primeiros séculos, nos tempos da perseguição, o sacramento do matrimônio não tinha ainda fórmulas prescritas, e era contraído no ambiente familiar; mas a Igreja Católica nunca o entregou às autoridades civis do Estado, (como fazem muitos “crentes”), e depois prescreveu em pormenores as exigências para sua válida celebração na Igreja .

c) Mesmo que a Igreja Católica nunca aprove o divórcio, em alguns casos o tribunal Eclesiástico do Matrimônio pode declarar a nulidade dum “matrimônio”, quando depois de séria investigação fica provado que, na celebração de tal “casamento” na igreja, faltaram condições essenciais para sua validade, exigidas pela lei da Igreja, (idade, liberdade, etc.). Isso não é concessão do divórcio, mas apenas uma declaração de que - apesar da cerimônia religiosa, - o tal “matrimônio” não era validamente contraído, isto é, nunca se realizou.

d) Para todos os casados vale a exortação bíblica da carta aos Hebreus: “Seja por todos honrado o matrimônio, e o leito conjugal sem mácula; porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros” ( Hb 13,4 ).

21 abril 2009

Casamento dos Padres?

ACUSAÇÃO: Por que os Padres católicos não se casam? Assim haveria mais vocações e menos escândalos. A própria Bíblia o recomenda em I Tim 3,2: “É necessário que o bispo seja irrepreensível; que tenha casado com uma só mulher…”

RESPOSTA: São Paulo não era casado. (veja I Cor 7,8). Numa das suas cartas ele recomenda: “Sejam meus imitadores, como eu sou de Cristo”. Escrevendo, pois, a Timóteo, que também era bispo celibatário, não lhe podia aconselhar casamento.

Porém, por falta de candidatos celibatários para a função episcopal (naquela época!), ele lhe recomenda escolher também homens casados - virtuosos. Daí na sua carta (I Tim 3,2) ele não coloca acento nas palavras : “que seja casado”…, mas nas palavras:…com uma só mulher… - e não com duas ou três, mesmo que sucessivamente, - o que seria sinal de moleza e muita paixão, deixando pouco zelo e dedicação para Deus e as almas. Em I Cor 7,32-33 S. Paulo apresenta os argumentos em favor do celibato: “O que está sem mulher, está cuidadoso das coisas que são do Senhor, como há de agradar a Deus. Mas o que está casado, está cuidadoso das coisas que são do mundo, como há de dar gosto à sua mulher”.

A Igreja Católica reconhece que a exigência do celibato dos padres não é lei divina, mas de lei eclesial, que em circunstâncias especiais poderia ser abolida, mas opta pela maior perfeição, já que por este motivo os Apóstolos de Jesus deixaram a convivência matrimonial e familiar, para se dedicar inteiramente à propagação do Reino de Deus, - como consta de Lc 18,28-30: “Disse depois Pedro: “Eis que nós deixamos tudo que nos pertence para te seguir”. Ele respondeu-lhes; “Em verdade vos digo, não há ninguém que tenha deixado casa, mulher, irmãos, pais ou filhos, por causa do reino de Deus, que não receba o múltiplo no tempo presente, e no século que há de vir, a vida eterna”.

Assumindo livremente o celibato, o sacerdote imita a maneira de viver de Jesus - celibatário, - inteiramente dedicado às coisas do Pai e de seu Reino.