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20 agosto 2009

O Sinal da Cruz - Parte III

De quantos modos se faz o sinal da cruz?
R= "O sinal da cruz se faz de dois modos: persignando-se e benzendo-se" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).

Que é persignar-se?

R= "Persignar-se é fazer três cruzes com o dedo polegar da mão direita aberta: a primeira na testa; a segunda na boca; a terceira no peito, dizendo: Pelo sinal + da santa cruz, livrai-nos, Deus, + Nosso Senhor, dos nossos + inimigos" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).

Para que se fazem estas três cruzes?

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R= "Faz-se a primeira cruz na testa, para que Deus nos livre dos maus pensamentos; a segunda, na boca, para que Deus nos livre das más palavras, e a terceira no peito, para que Deus nos livre das más obras, que nascem do coração" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).

Que é benzer-se?

R= "Benzer-se é fazer uma cruz, com a mão direita aberta, da testa ao peito e do ombro esquerdo ao direito, dizendo: Em nome do Pai, e do Filho, + e do Espírito Santo. Amém" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).

Hoje, infelizmente, milhares de católicos não fazem mais o sinal da cruz; os mesmos "esparramam" os dedos pelo rosto, peito e ombros, parece que estão mais se lavando do que benzendo-se. É preciso fazer o sinal da cruz com o máximo de piedade e respeito: "Tomai cuidado, portanto, para não fazerdes sinais de cruz ridículos. Nunca traçá-los apressadamente; antes que executá-los mal, é melhor omiti-los" (Bem-aventurado José Allamano, A Vida Espiritual, Capítulo 27).

Por que o sinal da cruz é o sinal do cristão?

R= "O sinal da cruz é o sinal do cristão: 1º porque serve para distinguir os cristãos dos infiéis, e 2º porque indica os principais mistérios da nossa fé" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).

É coisa útil fazer frequentemente o sinal da cruz?

R= "Sim; fazer frequentemente o sinal da cruz é coisa utilíssima, porque este sinal tem a virtude de avivar a fé, repelir as tentações e alcançar-nos de Deus muitas graças" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).

"O sinal da cruz é o sinal do cristão, uma prece de louvor à santíssima Trindade, uma profissão de fé. Através do sinal da cruz alcançam-se muitas graças. Certa vez, como faltasse água potável e os passageiros do navio morressem de sede, São Francisco Xavier adoçou água do mar com o sinal da cruz. O frequente deste sinal é recomendado pelo catecismo e por muitos santos" (Bem-aventurado José Allamano, A Vida Espiritual, Capítulo 33).

Quando devemos fazer o sinal da cruz?

R= "Devemos fazer o sinal da cruz pela manhã, ao despertar; à noite, ao deitar; antes e depois das refeições; no princípio e no fim de qualquer trabalho; antes de começar a oração; nas tentações e nos perigos" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).

"O cristão começa seu dia, suas orações e suas ações com o sinal-da-cruz, 'em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém'. O batizado dedica a jornada à glória de Deus e invoca a graça do salvador, que lhe possibilita agir no Espírito como filho do Pai. O sinal-da-cruz nos fortifica nas tentações e nas dificuldades" (Catecismo da Igreja católica, 2157), e: "A cada ação, sempre que saímos ou voltamos para casa, lavando-nos, vestindo-nos, ao acendermos as luzes, durante a conversação, sempre fazemos o sinal da cruz" (Tertuliano, De Coron. milit., c. III), e também: "A cada ação, a cada passo, que a mão sempre trace a cruz" (São Jerônimo, Epist. 18 ad Eustoch.).

04 agosto 2009

O Sinal da Cruz - Parte II

Qual é o sinal do cristão?

"O sinal do cristão é a cruz" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).

"Todos os batizados são cristãos."

Os cristãos têm um sinal que os distingue das pessoas que não o são. É o Sinal da Cruz. Sinal quer dizer distintivo; assim como uma pessoa traz no seu peito um distintivo indicando que pertence àquela sociedade, também os cristãos têm um sinal que os distingue das demais pessoas.

Antes de Nosso Senhor, a vista de uma cruz excitava sentimentos de horror e lembrança de criminosos e suplícios horrendos.

Hoje, vendo uma cruz, pensamos em Jesus, na Redenção realizada com tanto amor. Ela ocupa na Igreja lugar de honra, impera sobre os edifícios religiosos, brilha como jóia no diadema dos reis e nos cemitérios recorda a doce esperança cristã.

Os cristãos desde a origem da nossa religião fizeram uso deste sinal; ele é para os católicos mais ou menos o que vem a ser a farda para os servidores da Pátria.

A forma exterior deste sinal indica o mistério da Redenção, que foi realizado na Cruz. As palavras: "Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", indicam o mistério da Santíssima Trindade" (Mons. João Alexandre Loschi, Catecismo Rural, Edições Paulinas, 2ª Edição, maio - 1959).

Exemplos

I. O Sinal da Cruz

Henrique IV, depois de humilhar-se em Canossa, mostrou-se de novo inimigo do Papa e foi com seu exército sitiar Roma.

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No segundo assalto, apesar da heróica resistência dos sitiados, incendiou todas as muralhas. Um espantoso anel de fogo rodeava a cidade, da qual não se erguiam senão gemidos dos agonizantes e pranto das mulheres aterrorizadas. Então no alto de uma torre, majestoso e pálido, entre e o clarão e o fumo do incêndio, apareceu o Papa Gregório VII, e com gesto solene e calmo fez o sinal da cruz contra as chamas, e imediatamente o fogo se apagou como se tivesse recebido uma chuva torrencial.

Todas as vezes que nos encontrarmos em perigos e angústias, confessemos a SS. Trindade fazendo o sinal da cruz, e grande alívio sentirá a nossa alma.

II. O Poder da Cruz

O caso que vou contar é engraçado, mas dá-nos uma preciosa lição sobre o poder da santa cruz.

Tinham os monges de certo convento o sagrado dever descer todos os dias à igreja e, ali, sentando-se o Abade sua grande cadeira de superior, e eles nos bancos do presbitério cantavam os louvores de Deus.

Sucedeu que, um dia, o santo Abade Leufrido se achava adoentado em seu pobre leito e não pôde descer para presidi ao ofício em sua igreja. O demônio, que vive rodeando também os santos e servos de Deus, achou que era chegada a ocasião de todos os monges lhe prestarem reverência. Tomou, pois, hábito e a figura do Abade, desceu com os outros ao presbitério e sentou-se depressa na grande cadeira com ar de impor­tância. Todos os monges fizeram-lhe reverência; mas um deles chegando atrasado por vir da cela do Abade, viu com espanto outro Leufrido ali sentado.

Volta imediatamente à cela abacial, e diz alvoroçado:

- Dom Abade, que é isso? Estais ao mesmo tempo em dois lugares? Acabo de encontrar-vos sentado no presbitério, i estais aqui... que é isso?

Caiu o Abade na conta do diabólico estratagema e, sentindo-se com forças bastantes, vai à igreja depressa; mas, antes de entrar no presbitério, traça o sinal da cruz em todas as porta e janelas. Entra, depois, no presbitério e, armado de um bom chicote molhado em água benta, começa a açoitar o fingido Abade.

O demônio foge espavorido e Leufrido segue-o. O demônio quer passar por uma porta e, embora esteja aberta, volt correndo; aproxima-se de uma janela, e não consegue passar, porque em toda parte encontra pela frente o sinal da cruz. Abade surra a valer; os monges riem-se a bandeiras despregadas, e o diabo escapa, afinal, por uma chaminé! E' que o santo esquecera de fazer ali o sinal sagrado.

Leufrido tomou, então, a palavra e explicou aos religiosos que Deus permitira aquela cena para que eles conhecessem o poder da Cruz e, nas tentações, não deixassem de benzer-se com o sinal sagrado, que o demônio tanto teme e detesta.

III. Santo Antônio de Pádua e a Cruz

S. António de Pádua, ainda menino, servia de acólito na igreja da Sé, em Lisboa. Um dia, estando no coro, apareceu-lhe o diabo em forma horrível. O menino, sem se amedrontar, fez devotamente o sinal da cruz na grade. O diabo fugiu no mesmo instante. A cruz ficou impressa no mármore, como se este fora de cera.

IV. A tentação e o Sinal da Cruz

Santa Margarida, mártir, era uma donzela de rara beleza.

Aos dezesseis anos de idade, dirigiu-se a seu pai, que era pagão, e disse-lhe: "Meu pai, quero confiar-lhe um segredo. O senhor é sacerdote dos ídolos; eu, porém, sou batizada e creio em Jesus Cristo". Imediatamente apoderou-se daquele homem um furor selvagem. Atirou-se sobre a filha, como uma fera e logo mandou metê-la no cárcere. Na prisão apareceu-lhe o demônio, murmurando-lhe ao ouvido: "Ora, vamos, não seja tola... Você é jovem e bela. Aí bem perto a espera um noivo pagão, rico e nobre; com ele você viverá dias felizes. Abandone a Jesus".

Quereis saber o que fez Margarida nessa terrível tentação, nesse perigo iminente de perder a sua alma? Devotamente fez o sinal da cruz, e no mesmo instante o demônio desapareceu. Aproximou-se dela o Anjo da Guarda e consolou-a. Passados alguns dias foi Margarida conduzida ao lugar do martírio. Diante daquela juventude radiante, daquela formosura encantadora, o algoz ficou comovido e a espada vacilou em sua mão. Iria ele desistir de dar o golpe? Iria ela perder a palma do martírio? Margarida fez o sinal da cruz e disse: "Dê o golpe, irmão; a cruz é minha força!"

Inclinou a cabeça e colheu a palma do martírio.

A cruz deu-lhe a vitória.

V. São Bento e o Sinal da Cruz

Um dia alguns malvados, querendo matar S. Bento, apresentaram-lhe, para beber, uma taça de vinho envenenado. O santo fez o sinal da cruz sobre a taça, e esta quebrou-se, e o vinho mortífero espalhou-se por terra.

VI. Santa Cunegundes e o Sinal da Cruz

Em outro dia, Santa Cunegundes acordou por causa de um excessivo calor que sentia no sono. Fez o sinal da cruz, e o fogo apagou-se, deixando-a ilesa.

VII. Turbilhão muda de direção

A 15 de dezembro de 1502, Cristóvão Colombo, na sua quarta viagem pelo Novo Mundo, estava quase agonizante por causa das grandes tribulações sofridas, quando, de uma das caravelas, partiu um grito desesperado que anunciava perigos extremos.

Toda a tripulação foi presa de espanto à vista de um cone imenso, de uma tromba marinha que ligava o mar ao céu, levantando as águas como imensas montanhas. Um vento impetuoso impelia aquele terrível fenômeno contra a pequena frota, que certamente seria afundada num abrir e fechar de olhos.

Cristóvão Colombo, quando ouviu o mugido dos ventos e o grito desesperado dos seus, pensou na cena evangélica em que Jesus dormia enquanto o mar em borrasca enchia de pânico os apóstolos. A suave figura do Mestre, que com um gesto solene acalmava as ondas, apresentou-se-lhe à mente cheia de fé, e, reunindo as forças, ele se lançou de joelhos para dizer a Jesus que acreditava no seu poder e lhe suplicava salvá-los do perigo iminente.

Foi atendido, porquanto, quando por inspiração divina o comandante traçou contra o turbilhão o sinal da cruz, ele mudou de direção e foi perder-se na imensidade do Atlântico.

18 junho 2009

O Sinal da Cruz - Parte I

Hoje, infelizmente, milhares de católicos não fazem mais o sinal da cruz; os mesmos "esparramam" os dedos pelo rosto, peito e ombros, parece que estão mais se lavando do que benzendo-se. É preciso fazer o sinal da cruz com o máximo de piedade e respeito: "Tomai cuidado, portanto, para não fazerdes sinais de cruz ridículos. Nunca traçá-los apressadamente; antes que executá-los mal, é melhor omiti-los" (Bem-aventurado José Allamano, A Vida Espiritual, Capítulo 27).

São Bento e o Sinal da Cruz

Um dia alguns malvados, querendo matar S. Bento, apresentaram-lhe, para beber, uma taça de vinho envenenado. O santo fez o sinal da cruz sobre a taça, e esta quebrou-se, e o vinho mortífero espalhou-se por terra.

Santo Antônio de Pádua e a Cruz

S. António de Pádua, ainda menino, servia de acólito na igreja da Sé, em Lisboa. Um dia, estando no coro, apareceu-lhe o diabo em forma horrível. O menino, sem se amedrontar, fez devotamente o sinal da cruz na grade. O diabo fugiu no mesmo instante. A cruz ficou impressa no mármore, como se este fora de cera.

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Frei José Ariovaldo da Silva, OFM

O sinal-da-cruz no início da Liturgia é (como tantas outras) também uma ação ritual litúrgica e, por isso mesmo, carregada de profundo sentido humano, teológico e espiritual.

Antes de tudo é preciso ver essa ação litúrgica como uma ação integrada no contexto dos ritos iniciais da celebração, que têm sua finalidade bem precisa, indicada no n. 46 da Instrução Geral sobre o Missal Romano, a saber: "fazer com que os fiéis, reunindo-se em assembléia, constituam uma comunhão e se disponham para ouvir atentamente a palavra de Deus e celebrar dignamente a Eucaristia".

Como se vê, finalidade dos ritos iniciais é, em outras palavras, fazer com que os fiéis, sentindo-se assembléia litúrgica, façam a experiência de estarem em comunhão de fé e amor (entre si e, juntos, com Deus: Trindade santa) e, assim, se sintam bem dispostos a ouvir "atentamente" a Palavra e celebrar "dignamente" a Eucaristia.

E o sinal-da-cruz, neste contexto? É a primeira ação litúrgica, pela qual, (digamos assim) se "abre a sessão", ou então, se constitui "oficialmente" a assembléia. É como se a pessoa que preside dissesse assim: "Em nome da Trindade santa (Pai, e Filho e Espírito Santo) declaro (declaramos) constituída esta assembléia litúrgica". E toda a assembléia expressa o seu assentimento, dizendo: "Amém" (assim seja, aprovado!). Assim, junto com a saudação presidencial subseqüente e a resposta do povo, se expressa (como diz a Instrução geral) "o mistério da Igreja reunida" (n. 50). No fundo, o que se quer dizer é isso: "A partir desse instante, está constituída a assembléia litúrgica: Quem nos reúne em comunhão de fé e amor para ouvir a Palavra e celebrar a Eucaristia é o Deus comunhão (Pai, e Filho e Espírito Santo), e mais ninguém. Neste Deus comunhão (por pura graça d'Ele) todos nós estamos em comunhão, formando um só corpo místico para celebrar a divina Liturgia, na qual somos 'tocados' pelo seu amor misericordioso em todos os âmbitos do nosso ser".

Por isso, proclamando que quem nos reúne é a Trindade santa, nós tocamos o nosso corpo em forma de cruz. Esse "toque" tem um sentido simbólico e espiritual profundo. Por ele, no fundo, testemunhamos que, pelo mistério pascal (cruz e ressurreição) fomos (e somos!) "tocados" pelo amor da Trindade. Vejam o que o monge beneditino Anselm Grün, escritor e místico moderno, alemão, escreve sobre o sinal-da-cruz no início da Liturgia eucarística! Diz ele:

"Ao traçar sobre si mesmos o sinal-da-cruz, os participantes 'entram-no-jogo', se convertem em atores do 'jogo-visão' (teatro). Já no primeiro século, os cristãos se marcavam com a cruz. Ao fazê-lo, é como se talhassem ou gravassem em todo o seu ser o amor com que Jesus Cristo nos amou até o fim, morrendo por nós na cruz. (Ao traçar sobre nós a cruz) nós a burilamos em toda a amplitude do corpo: sobre a fronte (os pensamentos), no baixo ventre (a vitalidade, a sexualidade), sobre o ombro esquerdo (o inconsciente, o feminino, o coração), sobre o ombro direito (o consciente, o masculino, o agir). Ao fazer o sinal-da-cruz, asseguramos e antecipamos aquilo que celebramos na Eucaristia: que seremos tocados pelo amor de Cristo e que nada em nós fica excluído deste amor. Na Eucaristia, Jesus Cristo imprime o seu amor salvador e libertador em todos os âmbitos de nosso corpo e de nossa alma, para que tudo em nós espelhe sua luz e seu amor" (La Eucaristía como obra de teatro, como "teatro-visión" e "teatro-juego". In: Cuadernos Monásticos n. 147, 2003, p. 439-440).

Portanto, fica claro que o sinal-da-cruz no início da Liturgia não tem nada a ver com "invocação" à Santíssima Trindade, como muitos pensam. Não tem sentido chamar esta ação litúrgica de "invocação" à Trindade. Pois é Ela que, por gratuita iniciativa sua já nos reúne em assembléia para, em comunhão de fé e amor, ouvirmos "atentamente" a Palavra e celebrarmos "dignamente" a Eucaristia... Simplesmente celebramos o fato de ser Ela que nos reúne para sermos "tocados" pela presença viva do Senhor, na Palavra e no Sacramento.

Perguntas para reflexão pessoal e em grupos:

1) Por que fazemos o sinal-da-cruz no início das celebrações?
2) Com que atitude espiritual devemos fazer o sinal-da-cruz?

Fonte: Portal Católico

27 abril 2009

Como é que São Três?

Estou certo de que nenhum de nós se daria ao trabalho de explicar um problema de física nuclear a uma criança de cinco anos. E, não obstante, a distância que há entre a inteligência de uma criança de cinco anos e os últimos avanços da ciência é nada em comparação com a que existe entre a mais brilhante mente humana e a verdadeira natureza de Deus. Há um limite para o que a mente humana – mesmo em condições ótimas – pode captar e entender. Sendo Deus um ser infinito, nenhum intelecto pode alcançar as suas profundidades.

Por isso, ao revelar-nos a verdade sobre Si mesmo, Deus tem que se contentar com enunciar-nos simplesmente qual é essa verdade. O “como” dela está tão longe das nossas faculdades nesta vida que nem o próprio Deus trata de no-lo explicar.

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Uma dessas verdades é quem, havendo um só Deus, existem nEle três Pessoas divinas – Pai, Filho e Espírito Santo. Há uma só natureza divina, mas três Pessoas divinas. No plano humano, “natureza” e “pessoa” são praticamente uma e a mesma coisa. Se num quarto há três pessoas, três naturezas humanas estão lá presentes; se estivesse presente uma só natureza humana, haveria uma só pessoa. Assim, quando procuramos pensar em Deus como três Pessoas com uma só e a mesma natureza, é como se estivéssemos dando cabeçadas contra o muro.

Por isso, às verdades de fé como esta da Santíssima Trindade, chamamos “mistérios de fé”. Cremos nelas porque Deus no-las manifestou, e Ele é infinitamente sábio e veraz. Mas, para sabermos como é que isso pode ser, temos que esperar que Ele nos manifeste a Si mesmo por inteiro, no Céu.

“O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, é a luz que os ilumina”. (CIC, n. 234).

Os teólogos podem, é claro, dar-nos alguns pequenos esclarecimentos. Assim,explicam que a distinção entre as três Pessoas divinas tem por base a relação que existe entre elas.

Temos Deus Pai, que se contempla na sua mente divina e se vê como realmente é, formulando um pensamento sobre Si mesmo. Você e eu, muitas vezes, fazemos o mesmo. Concentramos o olhar no nosso interior e formamos um pensamento sobre nós mesmo. Este pensamento se expressa nas palavras silenciosas “João Pereira” ou “Maria das Neves”.

Mas há uma diferença entre o nosso conhecimento próprio e o de Deus sobre Si mesmo. O nosso conhecimento próprio é imperfeito, incompleto. Mas ainda que nos conhecêssemos perfeitamente, ainda que o conceito que temos acerca de nós, ao enunciarmos em silêncio o nosso nome, fosse completo, ou seja, uma perfeita reprodução de nós mesmos, seria apenas um pensamento que não sairia do nosso interior: sem existência independente, sem vida própria. O pensamento deixaria de existir, mesmo na minha mente, tão logo eu voltasse a minha atenção para outra coisa. A razão é que a existência e vida não são algo absolutamente necessário. Houve um tempo em que eu não existia em absoluto, e hoje eu voltaria imediatamente ao nada se Deus não me mantivesse na existência.

Mas com Deus as coisas são muito diferentes. Existir é próprio da natureza divina. Não há outra maneira de conceber Deus adequadamente senão dizendo que é o Ser que nunca teve princípio, que sempre foi e sempre será. A única definição real que podemos dar de Deus é dizer que é aquele que é. Assim se definiu Ele a Moisés, como recordamos: “Eu sou Aquele que é” (Êx 3, 14).

“Ao revelar o seu nome misterioso de Javé, <> ou <> ou também <>, Deus declara Quem Ele é e com que nome se deve chamá-lo, e é por isso mesmo que exprime, da melhor forma, a realidade de Deus como Ele é, infinitamente acima de tudo o que podemos compreender ou dizer” (CIC, n.206. cf. também n. 214).

Se o conceito que Deus tem de Si mesmo deve ser um pensamento infinitamente completo e perfeito, tem que incluir a existência, já que a existência é própria da natureza de Deus. A imagem que Deus vê de Si mesmo, a Palavra Silenciosa com que eternamente se expressa a Si mesmo, deve ter uma existência própria, distinta. A este pensamento vivo em que Deus se expressa perfeitamente a Si mesmo chamamos de Deus Filho. Deus Pai é Deus conhecendo-se a Si mesmo; Deus filho é a expressão do conhecimento que Deus te de Si. Assim, a segunda pessoa da Santíssima Trindade é chamado Filho precisamente porque é gerada desde toda a eternidade, gerada na mente divina do Pai. Também a chamamos Verbo de Deus, porque é a “Palavra mental” em que a mente divina expressa o pensamento sobre Si mesmo.

Depois, Deus Pai (Deus conhecendo-se a Si mesmo) e Deus Filho ( o conhecimento de Deus sobre Si mesmo) contemplam nessa natureza tudo o que é belo e bom – quer dizer, tudo o que produz amor – em grau infinito. E assim a vontade divina origina um ato de amor infinito para com a bondade e a beleza divinas. Uma vez que o amor de Deus por Si mesmo, tal como o conhecimento de Deus sobre Si mesmo, é da própria natureza divina, tem que ser um amor vivo. Este amor infinitamente perfeito, infinitamente intenso, que eternamente flui do pai e do Filho, é o que chamamos Espírito Santo, “que procede do Pai e do Filho”. É a terceira pessoa da Santíssima Trindade.

Resumindo:

- Deus pai é Deus conhecendo-se a Si mesmo;

- Deus Filho é a expressão do conhecimento de Deus sobre Si mesmo;

-Deus Espírito Santo é o resultado do amor de Deus por Si mesmo.

Esta é a Santíssima Trindade: três Pessoas divinas em um só Deus, uma só natureza divina.

Um pequeno exemplo poderia esclarecer-nos a respeito da relação que existe entre as três Pessoas divinas: pai, Filho e Espírito Santo.

Suponha que você se olha num espelho de corpo inteiro. Você vê uma imagem perfeita de si mesmo, com uma exceção: não é senão um reflexo no espelho. Mas se a imagem saísse dele e se pudesse ao seu lado, viva e palpitante como você, então, sim, seria a sua imagem perfeita. Mas não haveria dois vocês, e sim um só Você, uma só natureza humana. Haveria duas “pessoas”, mas só uma mente e uma vontade, compartilhando o mesmo conhecimento e os mesmos pensamentos.

Depois, já que o amor de si (o bom amor de sim mesmo) é natural em todo ser inteligente, haveria uma corrente de amor ardente e mútuo entre você e a sua imagem. Agora, dê assas a sua fantasia e pense na existência desse amor como uma parte tão de você mesmo, tão profundamente enraizada na sua própria natureza, que chegasse a ser uma reprodução viva e palpitante de você mesmo. Este amor seria uma “terceira pessoa” (mas, mesmo assim, nada mais que um Você, lembre-se; uma só natureza humana), uma terceira pessoa que estaria entre você e a sua imagem , e os três unidos de mãos dadas: três pessoas numa só natureza humana.

Talvez este vôo da imaginação possa ajudar-nos a entender confusamente a relação que existe entre as três pessoas da Santíssima trindade: Deus Pai “olhando-se” a Si mesmo na sua mente divina e mostrando ali a Imagem de Si, tão infinitamente perfeita que é uma imagem viva: Deus Filho; e Deus Pai e Deus Filho amando com um amor vivo a natureza divina que ambos possuem em comum: Deus Espírito Santo. Três Pessoas divinas, uma só natureza.

Texto extraído do livro: A Fé Explicada do Padre Norte Americano Leo J. Trese, págs 26 a 29.